Que medidas as plataformas de streaming estão tomando em relação às IAs?

 A inteligência artificial vem transformando a música ao ampliar as possibilidades criativas, mas também levanta desafios relevantes — como fraudes, clonagem de vozes e imagens, uso indevido de obras e pouca clareza sobre a origem dos conteúdos. Diante disso, a indústria fonográfica passou a adotar novas políticas e tecnologias para proteger artistas, ouvintes e o equilíbrio do ambiente digital. Plataformas como Spotify, Deezer e YouTube já estão se movimentando para enfrentar esse cenário.

No fim de setembro, o Spotify anunciou um pacote de medidas voltadas a reduzir os impactos negativos do uso de IA no setor. A iniciativa responde a preocupações crescentes, como a reprodução não autorizada de vozes, a publicação de músicas em perfis indevidos, o aumento de faixas repetitivas criadas para inflar receitas e a falta de transparência sobre o uso da tecnologia nas produções.

O uso inadequado da IA pode gerar efeitos significativos: além de prejuízos financeiros aos artistas, há distorções em métricas de popularidade, perda de confiança por parte dos ouvintes e questionamentos sobre autoria e criatividade.

Esse movimento acompanha uma tendência já iniciada pela Deezer, que lançou um sistema capaz de identificar e sinalizar músicas geradas artificialmente. Iniciativas como essa reforçam o esforço coletivo da indústria — incluindo organizações como a Music Fights Fraud Alliance (MFFA) — para preservar a integridade do mercado musical.

Em 2023, o YouTube também estabeleceu diretrizes para o uso responsável de IA na música, comprometendo-se com a proteção de direitos autorais. A plataforma passou a exigir a identificação de conteúdos sintéticos ou manipulados (como vocais artificiais ou vídeos hiper-realistas) e determinou que materiais totalmente gerados por IA não podem ser monetizados. Além disso, assim como Apple Music e outros serviços de streaming, permite que detentores de direitos solicitem a remoção de conteúdos que violem obras ou artistas específicos.

Entre as principais ações recentes, destacam-se:

Deezer

  • Criação de ferramenta para detectar músicas geradas por IA;
  • Exclusão de faixas totalmente artificiais ou consideradas “não artísticas” (como ruídos ou sons ambientes) de recomendações e pagamentos;
  • Disponibilização dessas faixas apenas por acesso direto, com aviso claro de “conteúdo gerado por IA”.

Spotify

  • Reforço nas regras contra imitação de artistas, proibindo o uso de vozes sem autorização;
  • Ampliação de mecanismos para evitar uploads fraudulentos e associação indevida de músicas a perfis;
  • Melhoria nos processos de verificação de conteúdo, inclusive antes do lançamento;

Filtro de spam musical

  • Identificação de práticas abusivas, como uploads em massa, duplicações e manipulação de algoritmos;
  • Remoção dessas faixas das recomendações;
  • Implementação gradual para reduzir erros e acompanhar novas formas de abuso.

Transparência no uso de IA

  • Desenvolvimento de padrões de crédito (em parceria com o DDEX) para indicar como a IA foi utilizada nas músicas;
  • Exibição dessas informações nas plataformas, permitindo que o público saiba o papel da tecnologia na criação;
  • Incentivo ao uso responsável da IA, promovendo mais confiança no ecossistema musical.